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Dr. José Américo - Cirurgia Bariátrica e Robótica

Refluxo Gastroesofágico: Sintomas, Diagnóstico e Quando Considerar Cirurgia

5 min de leitura Por Dr. José Américo Gomides de Sousa

Conteúdo revisado por Dr. José Américo Gomides de Sousa · CRM-MG 56433 | Cirurgia Bariátrica — RQE 60608 | Última atualização: Março 2026

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma das condições gastrointestinais mais prevalentes, afetando milhões de brasileiros. Ela ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna ao esôfago de forma recorrente, provocando sintomas incômodos e, em alguns casos, lesões na mucosa esofágica. Compreender os sinais, o diagnóstico e as opções de tratamento é essencial para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.

O que causa o refluxo

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o esfíncter esofágico inferior — uma válvula muscular que separa o esôfago do estômago — não funciona adequadamente. Quando essa válvula relaxa de forma inapropriada ou apresenta fraqueza estrutural, o ácido gástrico sobe para o esôfago, que não possui a mesma proteção do estômago contra a acidez.

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da DRGE, incluindo obesidade, hérnia hiatal, tabagismo, consumo excessivo de álcool, gestação e uso prolongado de certos medicamentos. A alimentação também desempenha um papel importante: alimentos gordurosos, cítricos, chocolate, café e bebidas gaseificadas podem agravar os sintomas.

Sintomas típicos e atípicos

Os sintomas do refluxo gastroesofágico são classificados em típicos e atípicos. Reconhecer ambas as categorias é fundamental para um diagnóstico precoce.

Sintomas típicos

  • Azia (pirose): sensação de queimação retroesternal, geralmente após as refeições ou ao deitar-se.
  • Regurgitação: retorno do conteúdo gástrico ácido ou amargo à boca, sem esforço de vômito.
  • Disfagia: dificuldade para engolir alimentos, que pode indicar complicações como estenose esofágica.

Sintomas atípicos

  • Tosse crônica: tosse persistente, especialmente noturna, sem causa respiratória aparente.
  • Rouquidão: irritação das cordas vocais pelo ácido, causando alteração na voz.
  • Dor torácica: dor no peito que pode ser confundida com problemas cardíacos.
  • Sensação de globo faríngeo: sensação de "bola na garganta" que não melhora com a deglutição.
  • Erosão dentária: desgaste do esmalte dos dentes causado pelo contato frequente com o ácido gástrico.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da DRGE geralmente começa com a avaliação clínica dos sintomas. Quando os sintomas são típicos e respondem ao tratamento inicial com inibidores de bomba de prótons, o diagnóstico pode ser presuntivo. No entanto, em muitos casos, exames complementares são necessários para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da doença.

  • Endoscopia digestiva alta: permite visualizar diretamente a mucosa esofágica e identificar esofagite, úlceras, estenoses ou esôfago de Barrett — uma alteração pré-maligna associada ao refluxo crônico.
  • pHmetria esofágica de 24 horas: considerada o padrão-ouro para o diagnóstico, mede a exposição ácida no esôfago ao longo de um dia completo.
  • Manometria esofágica: avalia a função motora do esôfago e a pressão do esfíncter esofágico inferior, sendo essencial na programação de tratamento cirúrgico.
  • Impedanciometria: detecta episódios de refluxo não ácido, complementando a pHmetria.

Tratamento clínico

O tratamento inicial da DRGE envolve mudanças comportamentais e uso de medicamentos. As medidas não farmacológicas incluem:

  • Elevação da cabeceira da cama em 15 a 20 centímetros.
  • Evitar alimentação nas 2 a 3 horas que antecedem o sono.
  • Redução do consumo de alimentos que agravam os sintomas.
  • Controle do peso corporal.
  • Cessação do tabagismo.

Os medicamentos mais utilizados são os inibidores de bomba de prótons (IBPs), como omeprazol e pantoprazol, que reduzem a produção de ácido gástrico. Embora eficazes no controle dos sintomas, o uso prolongado de IBPs pode estar associado a efeitos colaterais como deficiência de vitamina B12, magnésio e cálcio, além de maior suscetibilidade a infecções intestinais.

Quando considerar a cirurgia

A cirurgia antirrefluxo — chamada fundoplicatura — pode ser indicada nas seguintes situações:

  • Pacientes com boa resposta ao IBP, mas que não desejam uso medicamentoso contínuo.
  • Pacientes que necessitam de doses crescentes de medicação para controle dos sintomas.
  • Presença de hérnia hiatal volumosa associada ao refluxo.
  • Sintomas atípicos persistentes, como tosse crônica ou rouquidão, que não respondem ao tratamento clínico.
  • Complicações como esofagite grave, estenose ou esôfago de Barrett.

A fundoplicatura pode ser realizada por via laparoscópica ou robótica. Na cirurgia robótica, a plataforma Da Vinci oferece visão 3D ampliada e instrumentos articulados que permitem maior precisão na reconstrução da válvula antirrefluxo, com menor risco de lesão a estruturas adjacentes.

A importância da avaliação individualizada

Cada caso de refluxo gastroesofágico é único. A decisão entre tratamento clínico e cirúrgico deve ser baseada em uma avaliação individualizada que considere a gravidade dos sintomas, os resultados dos exames, as comorbidades e as preferências do paciente. O acompanhamento com um especialista em aparelho digestivo é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica e garantir o controle adequado da doença.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial.

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